”A tempera de uma alma é dimensionada na razão direta do teor de poesia que ela encerra” (Horácio Quiroga)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Beleza e Morte

Não havia dia que ela não passasse,
Nas noitinhas das minhas tardes
              Ou nas manhãs dos meus domingos,
Desfilando leve, doce, alva, elegante.

Ao passar risonha, deixava para trás
              Uma convergência de olhares pidões,
Sequiosos daquela beleza inexcedível
              Que seguia, insensível, o seu caminho.

Sem prévio aviso, a beleza sumiu.
As noitinhas e as manhãs de domingo,
Perderam toda a graça, nublaram-se.
Os corações retraíram-se, lastimosos.

Alegres só ficaram alguns pássaros,
Que nas manhãs iluminadas pelo sol
              Divertiam-se, afortunados e cantantes,
Numa branca e solitária pedra tumular.

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