”A tempera de uma alma é dimensionada na razão direta do teor de poesia que ela encerra” (Horácio Quiroga)

domingo, 31 de julho de 2016

Do nosso jeito

Quando assim te percebo,
Tão fogosa, ardente,
Sinto meus instintos aflorarem
              Fazendo-me tomar teu corpo,
Lascivo, incandescente,
E por ele percorrer caminhos
              Tão deliciosos, tão doces.

Ao toque de minhas mãos
              Tua pele, cálida, arrepia-se,
Rescendendo a flores da manhã;
Teus mamilos túmidos
              Se oferecem aos meus lábios
              E tuas coxas entreabrem-se,
Oferecendo-me o paraíso.

Exploro-lhe os caminhos,
Sinto-lhe os aromas,
Precipito-me, amante,
Ao teu sexo umedecido e morno.
E entre sussurros e gemidos
              Nos entregamos às delícias,
Que alegram as nossas manhãs.

domingo, 24 de julho de 2016

sábado, 23 de julho de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Tantas possibilidades

Como são imensas e intensas nossas possibilidades
              E como são restritos os limites impostos pela matéria!

Como nosso espírito é tão livre para cumprir distâncias
              E nossa matéria tão estática e limitada diante da vida!

Cabe-nos conceder o sublime prazer dessa liberdade,
Mas para que não sejamos colhidos por decepções,
Primeiro devemos fazer uma longa viagem a nós mesmos,
Para que assim, experimentados e mais conscientes,
Possamos nos extasiar com todas as maravilhas da criação.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Chain

Aquele, de terno marrom,
(atente na camisa amarela,
Manchada de café)
Com a cara bexigosa,
Rubicunda, torta.
Lábios adelgaçados,
Nariz de cavalete,
É capitão ou tenente,
Não sei bem.

Não veio de “escola”,
(Percebe-se pelos modos).
Deve ser “de carreira”:
Soldado, cabo, sargento,
Ou do baixo oficialato.
Na reforma deve chegar
A major, se tanto.
E a hora já chega,
Talvez já passe dos cinqüenta.


Mas posso estar enganado
(Essa gente nos confunde),
Talvez seja um civil, infiltrado.
Advogado, engenheiro, dentista,
Médico ou contador, quem sabe?
Diretor de grande empresa,
Funcionário de autarquia,
Ou profissional liberal.
Tudo nele é enigmático.

Mas a corrente...
Esta, ele sempre a leva.
Pode-se adivinhar o volume
Inchando sua pasta preta
(de nylon ordinário),
Metálica, fria, pesada,
Pronta para afligir,
Conduzida por suas mãos
Rudes, vestidas de fino couro.

E como ele a usava.
Cinco, seis vezes por dia,
O aço cumpria o flagelo
Marcando, dilacerando,
Sangrando, mortificando,
Ao som de berros agoniados.
Corpos sãos, cultos,
Eram massas disformes,
Caídos, mudos, mortos.

E que alegria brilhava
Nos olhos cavos do algoz
(azuis, frios, baços).
Por vezes assoviava,
E era sempre Lupicínio
(Mas, enquanto houver
Força em meu peito,
Eu não quero mais nada.
Só vingança, vingança ...)

Outras vezes solfejava
– Ainda o gaúcho –
(E depois encontrar esse amor,
Meu senhor,
Ao lado de um tipo qualquer)
Pespegando as pancadas,
Ritmando-as, cuidadoso
(Eu só sei é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor)

Vez por outra duvidava-se
Da pequena gota salgada
Que do azul baço descia, lenta.
Nos porões, falava-se
Que aos domingos, comungava,
Ajoelhado, sereno, contrito,
Enquanto uma das mãos, no bolso
Do indefectível paletó marrom,
Acarinhava os elos da sua amiga.

domingo, 17 de julho de 2016

Quero-te

Quero-te!
Sem angústias: tomada de serenidade.
Quero-te!
Suave: como a brisa, calma, me tocando.
Quero-te!
Sem exageros: na dimensão do ideal.
Quero-te!
Otimista: no renascer dos teus sonhos.
Quero-te!
Definitiva: Caminhando decidida para nós dois.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Você

Vinte laudas seriam insuficientes
              Para descrever-te e a tudo que trazes
              De mais generoso, de mais elevado,
No altar do teu coração.

terça-feira, 12 de julho de 2016

domingo, 10 de julho de 2016

Nossa Odisséia

Que Homeros competência teriam,
Para contar a Odisséia brasileira, meu?
O que disse? Ah, sim, claro;
Precisamos antes de um Odisseu.

sábado, 9 de julho de 2016

A nossa democracia (em outras palavras)

Nas duas metades,
Todas deles, nenhuma minha,
A democracia é servida corrompida
              Por democratas de mentirinha.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Desmaio

Primeiro foi uma explosão,
Abafada, muito lá dentro de mim,
Uma explosão contida, curta;
Um inverso da criação.
Posteriormente a sensação de luz:
De início um violeta suave, doce,
Em seguida, vermelhos e laranjas,
Quentes, ácidos, despertantes,
Em uma revolução crescente,
Com movimentos centrípetos.

Num dado instante tudo cessou,
Um vazio completo se fez
              E uma névoa de alvor cintilante,
Etérea, vigorosa, sobranceira,
Dominou o vazio, completando-o,
Fartando-o de substância vital.
Então, sobrevieram os sons.
Pareceram-me oboés, vários oboés,
No entanto poderiam ser requintas
              Ou, quem sabe, flautas transversas.

Somente depois, bem depois,
Vieram as sensações físicas:
Vozes, odores, um frio viscoso
              E uma intensa dor por todo corpo.
Uma mão tocava, leve, meu pulso;
Um nauseante burburinho sufocava.
Quando abri os olhos, vi a terra,
Suja, áspera, seca; elemento tão vital.
Percebi ainda minúscula formiga,
Que docemente acarinhava minha mão.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

A nossa democracia

Nas duas metades,
De ferro, pedra, areia e cimento,
A democracia é servida requentada
              Pelos democratas de momento.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Cérbero e Orfeu

Tifão e Equidna
             Geraram o tricéfalo cão,
Que o mundo dos mortos guardava. 
Deixava entrar, mas não sair;
Dormindo de olho aberto, vigiava.
Mas Orfeu entrou e saiu;
Com a música de sua lira,
O poeta a tudo controlava.

domingo, 3 de julho de 2016

Dança de vogais

Em "Palavras Cruzadas"
              Ledo Ivo me ensinou:
"Absoleto"
              É a forma obsoleta
              Da palavra "obsoleto".

sábado, 2 de julho de 2016

Oceano

Naquele pequeno aquário,
O seu colossal Atlântico;
Sem chernes, garoupas ou badejos, 
Apenas dois solitários lambaris.